segunda-feira, 7 de março de 2016

Querida amiga mãe;

Antes de tudo, gostaria de te dizer que acho lindo ser mãe e talvez um dia também serei. Acho magnífico o ato de doar-se ao dar o peito para amamentar o seu filho, assim como acho lindo as declarações de amor dadas por você as suas crias.
 
Amiga, sei que esse momento é todo seu, como o meu momento é de ainda optar por não ter filhos. Claro, pode acontecer, mas por enquanto amiga, não desejo ser mãe.
 
E amiga, gostaria que você entendesse quando eu faço ou venha fazer perguntas que para você podem ser idiotas ou que pareçam que eu esteja me intrometendo nesse seu momento mãe, mas diariamente sou questionada (já que estou com mais de 30 e para a sociedade estou atrasada) quando irei ter filhos; ou se não tenho medo de não engravidar ou fiar velha parecendo uma mãe-vó! Até mesmo me perguntam, se vou casar pois "já está na hora".
 
Assim como vc passa diversos manuais de como as pessoas devem se portar quando vão a sua casa, também gostaria de passar manuais de como alguém deveria se portar diante de mim, mulher com mais de 30, solteira e sem filhos.
 
Tenho aprendido muito com você amiga mãe, e mesmo eu não tendo passado pela maternidade sei de algumas coisas a reparto dela. Você não precisa dizer a todo momento: "quando você for mãe, você vai entender", porque eu tenho algum discernimento e entendimento sobre o que é estar na sua pele, o que é ser mãe.
 
Querida amiga, não preciso ser mãe para ter opinião sobre isso. E queria que você soubesse que um dia eu poderei descobrir que não quero ser mãe, ou realmente não possa ser, como acontece com tantas amigas nossas em comum.
 
Amiga, às vezes me sinto excluída, como você deve se sentir quando não pode ir comigo a uma festa, varar a madrugada e beber todas (apesar de que você tem um tesouro -filho- para se preocupar), quando não sou convidada para teus encontros ou festinhas de aniversário do seu filho, afinal de contas, não sou mãe!
 
Querida amiga, também gostaria que você soubesse que sou sua amiga acima de qualquer coisa, pois amigos  verdadeiros são poucos e você é um deles na minha vida.
 
Amo você e adoro estar com você e passo esse amor, às vezes destrambelhado, a sua criança, mesmo não sabendo muitas vezes como brincar, pegar no colo, fazer rir.
 
Mas eu mesmo não sendo sua amiga mãe, gosto de estar vivenciando isso com você. Então, mesmo eu não sabendo tudo sobre o que você está passando e fazendo talvez um ou dois comentários sem noção, ou que não vão ao encontro das suas ideias, tenha paciência, assim como eu tenho quando todos os assuntos envolvem filhos, maternidade e casamento.
 
Amiga, não sou menos mulher por não ser mãe e muito menos, menos amiga.

Heloíse Guesser/Março de 2016.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

 











cansei...
de falsas palavras...
de pessoas falsas...
de promessas ditas e não cumpridas...

quero pessoas honestas, que digam o que querem de verdade e não digam apenas para agradar, que não mintam, pois quando mente-se a alguém, mente-se a si mesmo (aprenda!)

mas quem faz a escolha somos nós mesmos... as expectativas nos que as criamos, e são elas, apenas elas, que geram as inseguranças, incertezas e decepções, mas como não criá-las em nossas mentes e corações?

tento (e é difícil) manter a mente ligada no que é agora, no hoje, não no que vai ser, virá... tentando seguir dia pós dia, cultivando o que existe de bom, plantando coisas boas, regando o que já criou raiz ou o que ainda pode crescer, florescer, brotar... para que as borboletas surjam, naturalmente, trazendo junto delas, cor, alegria...

esperando, apenas, boas notícias, boas ideias, dias melhores, pessoas sinceras...

domingo, 17 de março de 2013

Toques de afeto


"- Fiquei preocupada quando vi aquelas fotos!", foi essa a frase que escutei dia desses, após a publicação de algumas fotos que havia postado em uma rede social, na qual, tenho mais de mil "amigos".

Uma brincadeira que eu fiz, com imagens de minha pessoa e com um título que se referia a elas. Mas sabe o que mais me questiono? Por que essas pessoas, - plural porque não foi apenas uma que disse a mesma coisa-, quando se preocupam não te ligam, não fazem uma visita? Por que não se tornam mais presentes?!

Bom refletir a respeito, não? Então, deparo-me todos os dias com essas questões. Muitas com razão, mas a maioria desses questionamentos e julgamentos de conduta ou sobre como você está se sentindo não tem muito a ver.

Quando se publica frases e pensamentos bonitos, é porque você está apaixonada!
Se você coloca alguma coisa que diz respeito a coisas não muito boas: você não está bem!

E assim vai, mas o que mais me irrita é isso mesmo, esses julgamentos, de pessoas muitas vezes não tão íntimas, e que pensam que sabem o que você está pensando e há aquelas que são íntimas, mas não te ligam, não te visitam, não saem com você e não estão "por dentro" dos fatos reais.

É gente, vivemos num mundo tecnológico, onde os toques de afeto, estão sendo substituídos pelos toques de teclados de computadores, pelas telas touch screen, por mensagens telefônicas ou in box que, quando temos tempo, resolvemos lê-las e respondê-las.

Eu me incluo nisso e vou tentar ser menos virtual, me tornar mais real, nem que seja pela voz ao telefone, dizendo “Olá, tudo bem?”.


quarta-feira, 13 de março de 2013

Tempo - senhor destino




Se fosse fácil, não seria, talvez, tão saboroso.
Não daria frio na barriga ao imaginar o que está por vir.
Desafios lançados a mim mesma, esses são os maiores.
O amor está para chegar, eu sinto!

Dá medo, da confusão na mente e no coração, mas por fim, a esperança está aqui.
Sonho que veio, que foi e que volta.
Qual a mulher que não quer amar e ser amada?
Qual o homem que não tem a vontade de ter alguém ao lado para ficar velhinho e poder ter aquela mão estendida esperando?

Fácil. Simples. Nós é que complicamos! 

Na busca do dia a dia pelas vontades mundanas, esquecemos muitas vezes do que é mais fundamental: cuidar do coração, da mente e dos sonhos. Seguir em frente e esquecer do medo de demonstrar e de falar “eu te amo”, “eu te quero bem”, “vamos tentar juntos, eu estou aqui”.

Não gosto das relações descartáveis, apesar de ter passado por elas. Não quero aparência. Quero ser, quero somar. Tem problema isso? Não que o” ficar por ficar”, não faça bem, mas nada se compara em ter alguém, todos os dias ao seu lado, na sua cama, ou mesmo no sofá, na mesa de jantar ou ao telefone, dizendo: “oi, tudo bem?!” e a conversa segue e o tempo não se vê, pois ele, é o senhor, do destino, que coloca tudo no seu devido lugar. É o que há. É o que será! O tempo dirá!

terça-feira, 5 de março de 2013

baú das emoções



E o passado bateu em minha porta. Desta vez em forma de sonho. Um sonho bom.

Trouxe em minha memória alguém que já foi embora, não dessa vida, mas que está guardada no baú do meu coração, lugar onde ao vasculhar em meio a tantas pessoas e emoções, machuca, dói, dá saudades. Mexer nessas histórias traz muita coisa à tona, entre elas a vontade de voltar atrás, de decisões, de momentos, de algo que nunca mais vai acontecer. Pelo menos, não como antes.

Era bom e o sonho fez recordar de momentos tão felizes, que poderiam se repetir por vezes e mais vezes. O som da voz era igual, a mesma que, ao pé do ouvido, recitava sonhos, desejos e vontades, tudo que levasse à felicidade, mútua, compartilhada e vivenciada. Dia após dia. 

Essa voz dizia: “quero isso tudo de volta também! Vamos em frente, buscar nossos sonhos que lá atrás, ficaram perdidos”. Será? E o medo voltou. Medo este que nos faz refém e deixam estáticas quaisquer ações que possam nos levar a um caminho melhor, aquele dos nossos ideais para a vida, aquele que está nas gavetas do nosso inconsciente, que assim, como no baú das recordações do coração, mostram tanto de nós, que nem acreditamos existir.

Às vezes é necessário remexer, aprofundar, voltar e pensar, sentir a dor que as lembranças nos trazem, seja para que façamos um caminho consciente, novo, seja para que ao colocar emoções, pessoas e sentimentos, nas recordações não vivas, saibamos das escolhas que fazemos.

Ao olhar para trás, através do sonho, me vejo errante, e ao mesmo tempo certa e convicta de que aquela decisão era a melhor. Hoje, frágil, porém, amanhã mais forte. Forte aprendiz dos meus próprios sonhos e com o caminho que decidi seguir.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

indecifrável saudade


Saudades é um sentimento meio esquisito. Às vezes tenho saudades do que ainda nem vivi, como ter uma casa com um gramado bem verde e meus bichanos correndo soltos. Talvez esse é o tipo de saudade-desejo-futuro. Um gênero da saudade?! Ou nem seja saudade! Por isso, saudade é difícil de ser definida, decifrada e também sentida!

Saudade daqueles momentos que não voltam mais, mas que sempre ficarão na memória. De um lindo dia que foi, ao lado de alguém especial, ou de vários “alguém” especiais que representaram algo na sua vida ou que ainda representam. 

Saudade de momentos vividos e que você gostaria que acontecesse de novo! Saudades da infância, da adolescência, das descobertas dessa época, da inocência, por vezes perdida.

Saudade do que é, porque acabou de passar. Saudade de momentos alegres, de desafios vencidos, de sentimentos que não voltam mais.

Saudades do amor, de amar. De sentir, de sonhar. Enfim, carrego comigo sempre, esse sentimento indecifrável: saudade!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

simples manhã



Era terça-feira de sol, ela como de costume acordou cedo, olhou entre as cortinas e se assustou com o clarão que estava lá fora, achava que estava chovendo, ou sonhou com isso, não sabia ao certo. Queria que estivesse chovendo, queria dormir mais, seria um motivo. Precisava de uma desculpa, pois estava sem vontade de grandes realizações. Abriu as cortinas, em seguida a janela, que habitava, em uma pequena soleira, grandes flores amarelas. Os pássaros cantavam e ela ainda não havia sorrido. Dirigiu-se ao lavabo, abriu a torneira e lavou o rosto o que fez com que despertasse, mesmo assim, não havia alegria. Pensou que o dia estava lindo, que os pássaros cantavam, mas que não significava nada. Mas como de costume, entrou em contradição e decidiu que precisava fazer algo, desta vez para si mesma. Olhou novamente para a face que refletia no espelho e resolveu sorrir a ele. Sua boca era carnuda, não muito grande, seus dentes eram bonitos. Tinha sardinhas leves no rosto claro e um pouco pálido, com marcas que registravam a idade acima dos 30, mesmo assim, sentia-se ainda uma menina. Uma menina que naquela manhã estava querendo virar mulher. Olhou novamente ao espelho e falou em pensamentos que queria ser diferente e que aquele dia seria o dia de começar a mudar. Tomou seu café, como a nutricionista havia lhe receitado, já que estava acima do peso que desejava. Concluiu que não era jovem o suficiente para cometer erros e desperdícios à saúde. Naquele momento ela já havia notado que a mudança estava começando e que só precisava de um primeiro passo. Voltou ao banheiro tomou um banho e decidiu dar um passo a mais, simples, mas que talvez a motivasse a um terceiro, quarto, quinto passos. E quem sabe boas coisas lhe aconteceriam. Tinha tempo naquela manhã e resolveu sair. Cortou o cabelo. Uma ação cotidiana a qualquer mulher, mas que para ela não e notou que a simples decisão trouxe um novo olhar, um toque a mais àquele que já era firme e decidido e que no fundo, também, carregava medo, angústias, sofrimentos, misturados a sonhos, desejos e esperanças. Sentiu-se feliz, sorriu de novo. Voltou para casa. Como mais cedo, sabia que não faria grandes realizações, mas que estava disposta, dali em diante, a traçar novas metas. A transformar sua própria vida, a trazer mais sentido e a cada manhã, mesmo que com chuva, seria feliz, com as suas alegrias, com as angústias, com os medos, mas acima de tudo com a capacidade de sonhar e seguir em frente, acreditando que todo o dia há motivos para estampar um grande sorriso.