segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um beijo no escuro...


Estávamos à mesa, uma boa musica, um ar frio pela janela deixou minhas mãos geladas, ou foi o nervosismo. Bem, agora não sei dizer ao certo. Fotos espalhadas pela geladeira mostravam que era ela uma pessoa afetuosa, que tem um coração gigante.
Sua mão ao contrario da minha, quente firme, pelo menos era o que os meus olhos viam.
Seus lábios, ao falar faziam um movimento que me hipnotizava, o piscar dos seus olhos, a voz rouca, me deixava em um estado alterado.
Beatriz roubou minha paz, me deixou inquieto, mudou meu dia ,minha noite, meu sono. Mudou tudo em mim apenas em alguns minutos.

Um primeiro olhar, um primeiro desejo… uma primeira conversa, um primeiro papo,
A idéia de que aquilo lhe era bom... Que serviria perfeitamente...
Um olhar de reciprocidade ao que ela estava sentindo, eu tremia, de frio, de medo, de vontade de possuir aquele corpo, de beijar aquela boca...
Aquele era o momento, a oportunidade. Não existia depois, não importava...
Ela ao meu lado, não queria demonstrar o que estava sentindo. Conversa jogada fora, assuntos aleatórios, tudo para tentar disfarçar, não demonstrar o que estava sentindo, querendo... Seu corpo, apesar de não parecer, estava trêmulo, frio, com medo, queria se entregar ali mesmo...
Um primeiro beijo, um segundo desejo, minha mão estava fria, a dela quente, a boca, a língua, o nariz, o cheiro, tudo como imaginava, tudo como sempre quisera. Sentia-se seguro ali dentro, mas e quando saísse? O que seria daquela porta pra fora? Depois do primeiro contato, depois de alguns meses. Não queria pensar, nem imaginar, queria parar naquele momento, voltar os minutos antes vividos, 10 vezes, mil vezes mais... Não queria sair, queria apenas sentir... Sentir os segundos de escuridão que aquele beijo, aquela boca, aquele cheiro trouxeram.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Saudade...


Ela me domina de uma maneira que é difícil de descrever.
Tenho vontade de chorar, de gritar, de sumir.
Numa noite fria, escura, ela chega de mansinho, toma conta do meu coração, me faz chorar, me faz rir, me faz sofrer.
Chorar porque faz falta, rir porque ela me faz lembrar coisas boas, sofrer porque queria voltar no tempo, tentar consertar, fazer tudo de novo.
Ah saudade que me invade!
Aquela música, aquele perfume, aquele toque, aquele som... Tudo faz ela surgir!
Num dia chuvoso, ela chega de novo, e com ela vem a vontade de sumir, correr, sem olhar pra trás. Impossível!
Não consigo. Ao mesmo tempo que me dá forças pra agir, ela tira de mim toda a coragem. Faz eu sentir medo. Medo! Ele que faz a gente deixar tantas coisas de lado: uma viagem, um amor, um algo novo.
Mas o momento agora é dela. Ah saudade!
Noite, dia, frio, calor... Tudo me traz você. Quero que vás embora, me deixe, faça eu viver o que tenho agora e não o que já passou!
Ah saudade!

segunda-feira, 15 de junho de 2009


"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."
Mário Quintana

sexta-feira, 29 de maio de 2009


É interessante o quanto procuramos por inspiração, no meu caso, principalmente na hora de escrever. Já me falaram pra escrever sobre outras coisas além de sentimentos, emoções, vontades e desejos, mas confesso que são esses os itens que me dão água na boca na hora de criar algum texto.
Quando estou triste escrevo sobre o que me faz triste. Quando ao contrário, falo sobre a felicidade, a alegria. Quando os dois se misturam, às vezes me perco. Hoje me deu vontade de escrever. Sobre o que? Ah, são tantas coisas que na maioria das vezes não consigo sequer formular uma frase, fica tudo junto e misturado na minha cabeça!
Ontem me deparei com um sentimento ruim e logo depois com um sentimento bom, daí vem a confusão. Nenhum prevaleceu. Só a mistureba aqui na minha mente. Hoje, sensações boas e que ao mesmo tempo não queria sentir, pelo medo de dar errado. Daí vem a insegurança de não conseguir colocar as idéias e os sentimentos no papel, também. Medo esse de que alguém leia e não goste, não aprove, ache infantil, sem conteúdo.
Não que me importe com o que os outros pensem ou deixem de pensar. Mas há muita gente que escreve bem, que tem conteúdo “completo”, intelectuais do momento, anônimos, que fazem um “baita” texto. Queria que eles lessem o meu blog também.
Por falar nisso, que blog é esse? Nem sei usar. Alguém me ensina? Queria mais comentários, mais visitas, mais seguidores. Queria também mudar o layout dele. Alguém por favor que se habilita a me ajudar?!
Bem, você vê a confusão que eu faço?! O que é isso?! Começo falando de uma coisa, depois já falo de outra! Ora, que texto é esse?
Bem, vou tentar voltar ao assunto inicial. Confusão de idéias. “Misturança”, às vezes acho que sou assim com tudo! Hoje é mais um dia. Amanhã quem sabe saia algo mais completo e coerente. Mas o que é coerente? Você pode gostar ou pode odiar. “Ame ou me odeie, mas não deixe de pensar em mim, falar de mim!”: é isso que dizem por aí...
Tá, vou parar, não consigo mais, na minha cabeça agora só tenho um ponto enorme de interrogação... volto em outro momento e quando voltar, espero que consiga mais seguidores e comentários, neste que ainda é um esboço das minhas criações...

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Boba apaixonada!


Estar apaixonada deixa a gente boba né? Que coisa, hoje sou uma boba!
Será que são duas palavras sinônimas?! Vou recorrer ao Aurélio! Exigir que as inclua no dicionário como sinônimas! Eu sou boba. Porque sou apaixonada. Na verdade sou e estou apaixonada. Sou e estou boba?!
Sou apaixonada pelo meu trabalho, minha profissão, meus amigos, minha família, por felinos, fotografia e viagens (entre outras coisas é claro). E estou apaixonada por alguém que me deixa cheia de frio na barriga, com vontade de estar toda hora por perto, sentindo o cheiro, o abraço, o carinho, dando beijos intermináveis.
Ah que coisa boa e ruim ao mesmo tempo. Primeiro porque a paixão tem seu tempo, segundo porque não sei se há reciprocidade, terceiro porque tenho medo, muito medo de mais uma vez dar errado. Mas se a gente pensar assim, não podemos nos apaixonar mais, não é mesmo?
Há quem acredite que para tudo há começo, meio e fim. Acredito que não há um fim para tudo, mas que tudo tem começo sim, e o meio só existe se existir fim. Ai meu Deus! Como complico as coisas. E é assim que meu coração fica: confuso, complicado!
Mas quero falar desse lance de ser boba, ou apaixonada, o que você preferir. Até porque nem todo apaixonado é bobo. Mas no meu caso é no bom sentido. Porque quando me apaixono me entrego, principalmente se há uma relação.
Mas antes de sentir esse tipo de paixão, tive várias paixões platônicas, que se intercalaram com essas que a pessoa faz de conta que não sabe que você está apaixonada por ela (no meu caso ele!), mas sabe!
A primeira eu estava no primário, ainda lembro do menino que eu “gostava”, o nome dele era Tiago e ele era loiro de olhos azuis (detesto hoje em dia loiros, eca!). Depois, na época do colégio teve vários, em sua maioria morenos e até cabeludos! Na faculdade eu fui apaixonada por um amigo de sala, que nem sonha que fui apaixonada por ele e até hoje mantemos contato. Com esse nunca tive chance!
Agora to boba de novo. Mas eu estava esperando por isso, desejando sentir isso novamente. É bom, é ruim, mas esse ruim é bom, porque esse ruim que to vivendo é o de você estar na descoberta, conhecendo, sentindo se vai dar ou não certo. É a dúvida. É tentar saber se você esta ou não agindo certo. Se você está indo com muita sede ao pote ou não. Entende? Isso é o que gera esse desejo, esse frio na barriga, essas borboletas que não param de voar no estômago nem quando você está dormindo. Porque quando você dorme, acaba sonhando com essa paixão. Ah delícia!
Caramba! Eu falo demais né?! E se ele ler isso aqui? Vai saber que é dele que eu estou falando, até porque não há mais ninguém nesse momento. Me entreguei de cabeça. Aff! Medo, medo, medo! Quer saber? Sou assim, se ele se apaixonar por mim, será porque sou assim, vai gostar do jeito que sou, com minhas qualidades, meus defeitos, meu bafão de manhã, minha gororoba que preparo pro jantar! A vida é assim mesmo, cheia de riscos pra correr, e esse é mais um pra ser vivido!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Razão & Emoção...


É difícil como olhar um pedaço de bolo de chocolate e não querer comê-lo. É difícil como enfrentar o calor e não poder mergulhar no mar. É tão complicado que não sei o que pensar, o que falar o que fazer. Simplesmente tinha nas mãos e agora não tenho mais. Não saber como recuperar, correr atrás, tentar de novo, é como tirar-lhe o chão. Não conseguir respirar, não conseguir engolir, que sensação ruim, desesperadora.
Uns dizem que é fácil, logo passa, tudo se resolve e o tempo é o senhor da razão. Mas quem é o senhor da emoção?
Preciso saber? A razão diz o que devo fazer, o que devo seguir, mas a emoção fala tudo ao contrário. Parecem aqueles desenhos animados que tem um anjinho aconselhando de um lado e o diabinho alfinetando de outro.
Ah o senhor da emoção, será ele o coração? Impossível saber, impossível tentar entendê-lo. Meu coração ta aflito, bate muito forte, parece que quer sair pela boa. Não sabe que caminho seguir. Minha razão ao contrário, está tranqüila, em paz, quer ir descansar porque amanhã há de ser outro dia.
Tento, tento, insisto colocar as duas numa balança, não consigo! Mais uma vez, isso se torna repetitivo...
Um dia descubro, ou quem sabe amanhã nem pense mais nesse mal que me aflige hoje. Vou tentar ir dormir, colocar a cabeça no travesseiro e descansar no infinito dos meus sonhos e amanhã acordar ao lado delas outra vez, e em mais um dia de competição: a razão, versus, emoção!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Despedida


Venho através desta, dizer a você que a partir de hoje sou uma nova mulher. Alguém que quer ser mais do que o que você pode me oferecer. Quero ir além do seu mundinho medíocre e cheio de mentiras. Vou a partir de hoje viver um novo amor. Eu escolho isso. Venho te dizer que não me importa mais o que você pensa ou sente por mim, porque não sou mais sua. A partir de hoje não ligo mais pros teus julgamentos. Se eu quiser vou sair, vou dançar, vou transar com quem eu quiser. Mesmo que me julgues de vagabunda, promíscua. Não importa. Pra você eu morri. Mais dor do que morrer verdadeiramente é morrer estando viva. Ser indiferente a você será mais dolorido. Você acha que estou pegando pesado? Foda-se! Não ligo. Hoje sou diferente, acordei diferente, cheia de novos objetivos e o principal: me livrar de você. Esquecer você não será fácil, mas saber que você vai sofrer, assim como eu sofri por ti, me fará bem. Seja feliz à minha maneira! Não tenha paz nos seus sonhos, acorde como se eu estivesse ao teu lado te assombrando, sinta meu cheiro quando chegar perto de qualquer outra. Ao fechar os olhos e abrir a boca pra beijar me deseje, mesmo não sendo eu. Quero estar presente em sua vida, quero infernizar você nos teus pensamentos. Enquanto isso eu vivo a minha vida, danço a minha música e satisfaço os meus desejos mais íntimos...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Querer...



Quero um amor sincero, versos recheados de aroma. Quero amizades verdadeiras, beijos de afeto, sem cobrança, sem dar satisfação. Quero olhar pela janela admirando a chuva que cai lá fora e ter a sensação de que a vida é boa, mesmo com o céu nublado. Quero ter vontade de acordar todos os dias mais cedo e aproveitar cada minuto como se fosse o último. Mas também quero dormir um domingo inteiro. Viver a vida de bem com ela, na companhia de amigos, amores, paixões momentâneas. Beber um bom vinho num dia frio e uma cerveja gelada no calor. Quero ter paz e dormir no silêncio de uma respiração. Sair, correr, rir, chorar, falar abobrinhas sem se preocupar. Um dia de verão, um banho de mar. O inverno ao redor da lareira, comendo pinhão. Rindo com os amigos. Entrando noite afora. Quero dançar até doer os pés, estourar a bolha e quando chegar em casa tomar um banho quente e relaxar. Quero sexo sem amor, quero amor com sexo. Quero um homem forte, com braços torneados e barriga de tanquinho. Mas não adianta ser só músculo, tem que fazer bater o coração, estremecer as pernas, me deixar de quatro e ainda querer ficar horas e horas conversando e fazendo cafuné. Quero beijar e só beijar. Quando eu quiser fazer nada quero ficar na minha. Quero ler mais, assistir mais filmes, quero emagrecer, entrar em forma, envelhecer rejuvenecendo, como as atrizes famosas. Quero viver ao lado de pessoas que só me fazem bem. Quero bem a alguém. Quero que meus pais vivam pra sempre e meus irmãos tenham vários filhos pra eu ser chamada de tia. Quero me apaixonar, desapaixonar e apaixonar de novo. Depois quero amar, ser amada e respeitada. Quero viajar pelo mundo. Conhecer pessoas diferentes. Culturas diferentes. Quero casar e ter dois filhos, uma chamada Laura e o menino ainda não decidi. Quero aprender a cantar e fazer aulas de dança de salão. Quero poder arriscar. Quero ser tirada pra dançar. Quero oferecer ajuda e quero ser recompensada. Quero ter mais fé, mais esperança e acreditar ainda mais em Deus. Quero morrer, só depois que eu puder fazer isso tudo e quando eu morrer, quero que a morte não seja o fim, mas quem sabe um novo começo para eu querer fazer tudo de bom de novo!

segunda-feira, 6 de abril de 2009


Cheguei a conclusão do que todo mundo já concluiu: a paixão é passageira, já o amor é constante, é eterno. Segundo algumas pessoas (especialistas ou não) a paixão dura no máximo 2 anos. O amor não, ele permanece, mas nem sempre a paixão se transforma em amor, daí ele nem existe.
Você pode se apaixonar várias vezes. Você pode amar várias vezes. Algumas pessoas dizem nunca terem amado, outras dizem terem amado diversas vezes. Eu amei várias vezes, mas com intensidades diferentes. Me apaixonei diversas vezes também, da mesma forma, com intensidades diferentes.
Tudo depende de quem vc ama, amou e de quem vc se apaixona ou se apaixonou. Nunca é igual, mas o sentimento é o mesmo. Amor é amor. Paixão é paixão. A gente briga briga, tentando explicar, tentando saber de onde vem isso, saber porque sentimos, simplesmente sentimos!
O maior problema é lidar com os sentimentos. E eu acho que as pessoas têm tantos problemas psicológicos justamente por isso: por não saberem conduzir os seus sentimentos. Mas como vamos conduzí-los? Medo, amor, paixão, solidão, tristeza... é muito setimento!
Poxa! Desisto de tentar entender, mas impossível tentar não sentir. Então deixamos assim e com doses de terapia tentamos melhorar essas “coisas” dentro de nós.
Mas voltando ao amor e à paixão. Você pode amar seus pais, amigos, irmãos, namorados, maridos, esposas, namoradas e esse amor é o mesmo. Claro que é! Só que para cada caso ele provoca outros sentimentos, outras vontades e outros desejos.
Quando amamos alguém por muito tempo, de repente esse alguém não é mais seu, por sua ecolha ou por escolha dele(a) e você não encontra mais ninguém para amar, ou até encontra, mas esse alguém, ou esses “alguéns” não permanecem na sua vida por mais do que uma semana, como é que você vai amar de novo? Como você não vai querer voltar para aquele amor? Aquele último e mais forte amor?
Não sei! Não tenho idéia... Continua a busca interminável da resposta. A questão não é simples e para saber é preciso sentir e mais uma vez você terá outros problemas em relação aos sentimentos, se estes não forem claros, fáceis de decifrar, de traduzir... fudeu! A bola de neve só tende a aumentar...
“O amor é tão mais fatal do que eu havia pensado, o amor é tão mais inerente quanto a própria carência, e nós somos garantidos por uma necessidade que se renovará continuamente. O amor já está, está sempre. Falta apenas o golpe da graça - que se chama paixão”, dizia Clarice Lispector.
Para existir amor então primeiro é preciso existir paixão? Será que eu entendi bem o que “a poeta” quis dizer? O amor já existe dentro de nós e para manifestar-se verdadeirmente é necessário existir paixão? É isso?! Aff, quanto mais tento entender, mais confusa eu fico...
Bem, nessa história só nos cabe viver: amar, se apaixonar, sofrer, sorrir, chorar... alguns desses sentimentos podem ou não se misturar, mas de qualquer forma se eles existirem é sinal de que você está respirando, e isso é bom!
Infelizmente nossos anseios, desejos, sentimentos, não têm definição exata, o dicionário pode até tentar trazer significados, os terapeutas e psicólogos também, porém cada sentimento, cada sensação, emoção vai depender de uma só coisa: do seu estado de espírito para poder recebê-lo.
Se você se apaixonar ótimo, se amar, melhor ainda, mas se será ou não correspondido, aí eu já não sei!

domingo, 5 de abril de 2009

Desejo ...


Ela não sabe como aconteceu. Apenas sentiu! Não tem idéia de como poderia mudar seu pensamento, suas vontades, seus desejos mais profundos.
Ele era totalmente o oposto daquilo que desejava, ou será contraditório dizer isso? Porque ela o desejava! Então não seria isso, poderia ser apenas um engano. Pelas diferenças cronológicas, não pelas diferenças de comportomento. Até porque eles eram parecidos: gostavam das mesmas músicas, dos mesmos lugares e festas, têm amigos em comum, são amantes da sétima arte, têm afinidades nas conversas...
Ela não sentia aquilo há tempos. Tinha medo de sentir, de estragar, de se decepcionar. Para ela sempre fora difícil receber um não, ser rejeitada, esquecida, não notada. Para ela isso não era normal e tinha muito receio de que isso poderia se tornar concreto.
Ele era simples, mas ao olhar dela, era completo. Queria apenas experimentar esse desejo que a dominava, o qual não a deixava dormir direito e nem mesmo fazer suas tarefas cotidianas.
Nos últimos dias ele estava mais presente o que a deixava feliz. Mas ao mesmo tempo isso a incomodav. Um frio na barriga que a deixava angustiada, a deixava anciosa, cheia de dúvidas, medos...
Ele nem sonhava que o que ela sentia era tão forte e nada passageiro. Para ele era apenas uma brincadeira entre amigos. A inocência carregada na idade, que ela achava existir, não era verídica, era o oposto. De maneira sutil, firme, de olhar profundo ele lhe dizia o que achava, pois já percebera o interesse dela. Ela, apesar do medo, disse o que ansiava. Ele não descartava a possibilidade, mas também não dizia nada além disso, nem sim, nem não.
Era esse mistério, essa vontade, essa atração que a deixava mais ligada, mais excitada... O desafio, o proibido sempre foram motivos mais gostosos de ir em busca do que queria.
Determinada e pensativa. Destemida e ao mesmo tempo confusa. Decidiu ficar calada, tentar esquecer... dentro do coração, perto da alma quis deixar de lado a vontade bigorna e o desejo martelo, como na música... e se um dia pudesse, os realizaria...

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

...


Pode invadir ou chegar com delicadeza, mas não tão devagar que me faça dormir. Não grite comigo, tenho o péssimo hábito de revidar. Acordo pela manhã com ótimo humor mas ... permita que eu escove os dentes primeiro. Toque muito em mim, principalmente nos cabelos e minta sobre minha nocauteante beleza. Tenho vida própria, me faça sentir saudades, conte algumas coisas que me façam rir, mas não conte piadas e nem seja preconceituoso, não perca tempo, cultivando este tipo de herança de seus pais. Viaje antes de me conhecer, sofra antes de mim para reconhecer-me um porto, um albergue da juventude. Eu saio em conta, você não gastará muito comigo. Acredite nas verdades que digo e também nas mentiras, elas serão raras e sempre por uma boa causa. Respeite meu choro, me deixe sózinha, só volte quando eu chamar e, não me obedeça sempre que eu também gosto de ser contrariada. ( Então fique comigo quando eu chorar, combinado?). Seja mais forte que eu e menos altruísta! Não se vista tão bem... gosto de camisa para fora da calça, gosto de braços, gosto de pernas e muito de pescoço. Reverenciarei tudo em você que estiver a meu gosto: boca, cabelos, os pelos do peito e um joelho esfolado, você tem que se esfolar as vezes, mesmo na sua idade. Leia, escolha seus próprios livros, releia-os. Odeie a vida doméstica e os agitos noturnos. Seja um pouco caseiro e um pouco da vida, não de boate que isto é coisa de gente triste. Não seja escravo da televisão, nem xiita contra. Nem escravo meu, nem filho meu, nem meu pai. Escolha um papel para você que ainda não tenha sido preenchido e o invente muitas vezes.Me enlouqueça uma vez por mês mas, me faça uma louca boa, uma louca que ache graça em tudo que rime com louca: loba, boba, rouca, boca ... Goste de música e de sexo. goste de um esporte não muito banal. Não invente de querer muitos filhos, me carregar pra a missa, apresentar sua familia... isso a gente vê depois ... se calhar ... Deixa eu dirigir o seu carro, que você adora. Quero ver você nervoso, inquieto, olhe para outras mulheres, tenha amigos e digam muitas bobagens juntos. Não me conte seus segredos ... me faça massagem nas costas. Não fume, beba, chore, eleja algumas contravenções. Me rapte! Se nada disso funcionar ... experimente me amar! (Martha Medeiros)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

A dor que dói mais...

"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer." (Martha Medeiros)