terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

indecifrável saudade


Saudades é um sentimento meio esquisito. Às vezes tenho saudades do que ainda nem vivi, como ter uma casa com um gramado bem verde e meus bichanos correndo soltos. Talvez esse é o tipo de saudade-desejo-futuro. Um gênero da saudade?! Ou nem seja saudade! Por isso, saudade é difícil de ser definida, decifrada e também sentida!

Saudade daqueles momentos que não voltam mais, mas que sempre ficarão na memória. De um lindo dia que foi, ao lado de alguém especial, ou de vários “alguém” especiais que representaram algo na sua vida ou que ainda representam. 

Saudade de momentos vividos e que você gostaria que acontecesse de novo! Saudades da infância, da adolescência, das descobertas dessa época, da inocência, por vezes perdida.

Saudade do que é, porque acabou de passar. Saudade de momentos alegres, de desafios vencidos, de sentimentos que não voltam mais.

Saudades do amor, de amar. De sentir, de sonhar. Enfim, carrego comigo sempre, esse sentimento indecifrável: saudade!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

simples manhã



Era terça-feira de sol, ela como de costume acordou cedo, olhou entre as cortinas e se assustou com o clarão que estava lá fora, achava que estava chovendo, ou sonhou com isso, não sabia ao certo. Queria que estivesse chovendo, queria dormir mais, seria um motivo. Precisava de uma desculpa, pois estava sem vontade de grandes realizações. Abriu as cortinas, em seguida a janela, que habitava, em uma pequena soleira, grandes flores amarelas. Os pássaros cantavam e ela ainda não havia sorrido. Dirigiu-se ao lavabo, abriu a torneira e lavou o rosto o que fez com que despertasse, mesmo assim, não havia alegria. Pensou que o dia estava lindo, que os pássaros cantavam, mas que não significava nada. Mas como de costume, entrou em contradição e decidiu que precisava fazer algo, desta vez para si mesma. Olhou novamente para a face que refletia no espelho e resolveu sorrir a ele. Sua boca era carnuda, não muito grande, seus dentes eram bonitos. Tinha sardinhas leves no rosto claro e um pouco pálido, com marcas que registravam a idade acima dos 30, mesmo assim, sentia-se ainda uma menina. Uma menina que naquela manhã estava querendo virar mulher. Olhou novamente ao espelho e falou em pensamentos que queria ser diferente e que aquele dia seria o dia de começar a mudar. Tomou seu café, como a nutricionista havia lhe receitado, já que estava acima do peso que desejava. Concluiu que não era jovem o suficiente para cometer erros e desperdícios à saúde. Naquele momento ela já havia notado que a mudança estava começando e que só precisava de um primeiro passo. Voltou ao banheiro tomou um banho e decidiu dar um passo a mais, simples, mas que talvez a motivasse a um terceiro, quarto, quinto passos. E quem sabe boas coisas lhe aconteceriam. Tinha tempo naquela manhã e resolveu sair. Cortou o cabelo. Uma ação cotidiana a qualquer mulher, mas que para ela não e notou que a simples decisão trouxe um novo olhar, um toque a mais àquele que já era firme e decidido e que no fundo, também, carregava medo, angústias, sofrimentos, misturados a sonhos, desejos e esperanças. Sentiu-se feliz, sorriu de novo. Voltou para casa. Como mais cedo, sabia que não faria grandes realizações, mas que estava disposta, dali em diante, a traçar novas metas. A transformar sua própria vida, a trazer mais sentido e a cada manhã, mesmo que com chuva, seria feliz, com as suas alegrias, com as angústias, com os medos, mas acima de tudo com a capacidade de sonhar e seguir em frente, acreditando que todo o dia há motivos para estampar um grande sorriso.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

todos os dias



 Era noite de verão, porém, mesmo quente, chovia. Faltavam poucos dias para mais uma primavera ser completada e comemorada, faltava poucos dias para o final do ano. Ela entrou no elevador. Sua pulsação aumentava de acordo com a subida. De andar a andar, até chegar ao décimo segundo. Ele havia deixado avisado na portaria que ela chegaria e sua entrada era permitida. Já passavam das dez horas. Uma noite quente, de pulsações fortes, sentimentos à flor da pele. A porta não estava trancada. Ela entrou. Tirou os sapatos, fechou a porta com as chaves que ele havia deixado na fechadura. Dentro o ar era fresco e havia cheiro de banho no ar evaporado do banheiro, que ficava no corredor. Na sala, apenas a mesa e nela o computador ligado em modo espera. Em frente uma sacada tímida, cercada de outras sacadas o que tirava toda a privacidade, que só existiria, se houvesse cortinas. No fundo do corredor, uma fresta de luz e o barulho que vinham da televisão, este que interrompia o silêncio e escondia uma solidão perceptível na figura daquele homem. Ela ia aproximando-se e à medida que chegava ao quarto, nas pontas dos pés, para evitar barulho no andar debaixo – pois costumeiramente usava saltos altíssimos e finos – ela sesentia mais nervosa, com medo e ao mesmo tempo feliz, porque ele a convidara. Ao entrar seu coração bateu mais forte e ao se aproximar do corpo esguio e forte que estava sob a cama, viu que estava dormindo. De cuecas e sem camisa, apenas um fino lençol cobria a pele morena. Um suave perfume a chamava para juntar-se à cama. Apagou as luzes, foi ao banheiro lavar suas mãos e rostos e começou a tirar a roupa. De calcinha e sutiã ela se juntou a ele. Ela que não era nem alta e nem baixa, de pela clara e cabelos loiros, quase transparente junto com a pele dele e muito pequena, quando ao seu lado. Também não possuía um corpo perfeito, mas suas curvas chamavam a atenção daquele homem, de alguma maneira. Ao se cobrir, ele percebeu que ela estava ali e no momento em que ele a abraçou os batimentos começaram voltar ao normal, como se ele desse a ela a segurança que sempre quis, que sempre procurou em tantos outros caras, com quem já havia estado. Num gesto simples, ele a beijou na testa e ela retribuiu de forma doce, com um leve beijo em sua boa, que foi se abrindo, até entregar-se a um profundo e apaixonado beijo. Naquele momento era aquilo: um beijo profundo e verdadeiro, de ambas as partes. Mesmo ela não sendo sempre dele, ela o queria sinceramente, de forma que jamais desejou alguém. Para ela bastavam aqueles momentos, aqueles beijos apaixonados, que somente os dois sabiam existir. Depois de fazerem amor, adormeceram. Já passavam das duas horas da manhã. Como de hábito, ela se levantou e sentou-se à cama para vestir-se e ir embora. Subitamente ele acordou, olhou para ela com um olhar que ela jamais havia visto antes naqueles olhos castanhos e ele pediu que ficasse. Ela sorriu, deu um beijo em sua face marcada pelo tempo e idade que carregava, o abraçou e voltou a deitar se sentido inteiramente abraçada. Pensou que era o que queria para todos os seus dias.