
Estávamos à mesa, uma boa musica, um ar frio pela janela deixou minhas mãos geladas, ou foi o nervosismo. Bem, agora não sei dizer ao certo. Fotos espalhadas pela geladeira mostravam que era ela uma pessoa afetuosa, que tem um coração gigante.
Sua mão ao contrario da minha, quente firme, pelo menos era o que os meus olhos viam.
Seus lábios, ao falar faziam um movimento que me hipnotizava, o piscar dos seus olhos, a voz rouca, me deixava em um estado alterado.
Beatriz roubou minha paz, me deixou inquieto, mudou meu dia ,minha noite, meu sono. Mudou tudo em mim apenas em alguns minutos.
Um primeiro olhar, um primeiro desejo… uma primeira conversa, um primeiro papo,
A idéia de que aquilo lhe era bom... Que serviria perfeitamente...
Um olhar de reciprocidade ao que ela estava sentindo, eu tremia, de frio, de medo, de vontade de possuir aquele corpo, de beijar aquela boca...
Aquele era o momento, a oportunidade. Não existia depois, não importava...
Ela ao meu lado, não queria demonstrar o que estava sentindo. Conversa jogada fora, assuntos aleatórios, tudo para tentar disfarçar, não demonstrar o que estava sentindo, querendo... Seu corpo, apesar de não parecer, estava trêmulo, frio, com medo, queria se entregar ali mesmo...
Um primeiro beijo, um segundo desejo, minha mão estava fria, a dela quente, a boca, a língua, o nariz, o cheiro, tudo como imaginava, tudo como sempre quisera. Sentia-se seguro ali dentro, mas e quando saísse? O que seria daquela porta pra fora? Depois do primeiro contato, depois de alguns meses. Não queria pensar, nem imaginar, queria parar naquele momento, voltar os minutos antes vividos, 10 vezes, mil vezes mais... Não queria sair, queria apenas sentir... Sentir os segundos de escuridão que aquele beijo, aquela boca, aquele cheiro trouxeram.
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