quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

simples manhã



Era terça-feira de sol, ela como de costume acordou cedo, olhou entre as cortinas e se assustou com o clarão que estava lá fora, achava que estava chovendo, ou sonhou com isso, não sabia ao certo. Queria que estivesse chovendo, queria dormir mais, seria um motivo. Precisava de uma desculpa, pois estava sem vontade de grandes realizações. Abriu as cortinas, em seguida a janela, que habitava, em uma pequena soleira, grandes flores amarelas. Os pássaros cantavam e ela ainda não havia sorrido. Dirigiu-se ao lavabo, abriu a torneira e lavou o rosto o que fez com que despertasse, mesmo assim, não havia alegria. Pensou que o dia estava lindo, que os pássaros cantavam, mas que não significava nada. Mas como de costume, entrou em contradição e decidiu que precisava fazer algo, desta vez para si mesma. Olhou novamente para a face que refletia no espelho e resolveu sorrir a ele. Sua boca era carnuda, não muito grande, seus dentes eram bonitos. Tinha sardinhas leves no rosto claro e um pouco pálido, com marcas que registravam a idade acima dos 30, mesmo assim, sentia-se ainda uma menina. Uma menina que naquela manhã estava querendo virar mulher. Olhou novamente ao espelho e falou em pensamentos que queria ser diferente e que aquele dia seria o dia de começar a mudar. Tomou seu café, como a nutricionista havia lhe receitado, já que estava acima do peso que desejava. Concluiu que não era jovem o suficiente para cometer erros e desperdícios à saúde. Naquele momento ela já havia notado que a mudança estava começando e que só precisava de um primeiro passo. Voltou ao banheiro tomou um banho e decidiu dar um passo a mais, simples, mas que talvez a motivasse a um terceiro, quarto, quinto passos. E quem sabe boas coisas lhe aconteceriam. Tinha tempo naquela manhã e resolveu sair. Cortou o cabelo. Uma ação cotidiana a qualquer mulher, mas que para ela não e notou que a simples decisão trouxe um novo olhar, um toque a mais àquele que já era firme e decidido e que no fundo, também, carregava medo, angústias, sofrimentos, misturados a sonhos, desejos e esperanças. Sentiu-se feliz, sorriu de novo. Voltou para casa. Como mais cedo, sabia que não faria grandes realizações, mas que estava disposta, dali em diante, a traçar novas metas. A transformar sua própria vida, a trazer mais sentido e a cada manhã, mesmo que com chuva, seria feliz, com as suas alegrias, com as angústias, com os medos, mas acima de tudo com a capacidade de sonhar e seguir em frente, acreditando que todo o dia há motivos para estampar um grande sorriso.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

todos os dias



 Era noite de verão, porém, mesmo quente, chovia. Faltavam poucos dias para mais uma primavera ser completada e comemorada, faltava poucos dias para o final do ano. Ela entrou no elevador. Sua pulsação aumentava de acordo com a subida. De andar a andar, até chegar ao décimo segundo. Ele havia deixado avisado na portaria que ela chegaria e sua entrada era permitida. Já passavam das dez horas. Uma noite quente, de pulsações fortes, sentimentos à flor da pele. A porta não estava trancada. Ela entrou. Tirou os sapatos, fechou a porta com as chaves que ele havia deixado na fechadura. Dentro o ar era fresco e havia cheiro de banho no ar evaporado do banheiro, que ficava no corredor. Na sala, apenas a mesa e nela o computador ligado em modo espera. Em frente uma sacada tímida, cercada de outras sacadas o que tirava toda a privacidade, que só existiria, se houvesse cortinas. No fundo do corredor, uma fresta de luz e o barulho que vinham da televisão, este que interrompia o silêncio e escondia uma solidão perceptível na figura daquele homem. Ela ia aproximando-se e à medida que chegava ao quarto, nas pontas dos pés, para evitar barulho no andar debaixo – pois costumeiramente usava saltos altíssimos e finos – ela sesentia mais nervosa, com medo e ao mesmo tempo feliz, porque ele a convidara. Ao entrar seu coração bateu mais forte e ao se aproximar do corpo esguio e forte que estava sob a cama, viu que estava dormindo. De cuecas e sem camisa, apenas um fino lençol cobria a pele morena. Um suave perfume a chamava para juntar-se à cama. Apagou as luzes, foi ao banheiro lavar suas mãos e rostos e começou a tirar a roupa. De calcinha e sutiã ela se juntou a ele. Ela que não era nem alta e nem baixa, de pela clara e cabelos loiros, quase transparente junto com a pele dele e muito pequena, quando ao seu lado. Também não possuía um corpo perfeito, mas suas curvas chamavam a atenção daquele homem, de alguma maneira. Ao se cobrir, ele percebeu que ela estava ali e no momento em que ele a abraçou os batimentos começaram voltar ao normal, como se ele desse a ela a segurança que sempre quis, que sempre procurou em tantos outros caras, com quem já havia estado. Num gesto simples, ele a beijou na testa e ela retribuiu de forma doce, com um leve beijo em sua boa, que foi se abrindo, até entregar-se a um profundo e apaixonado beijo. Naquele momento era aquilo: um beijo profundo e verdadeiro, de ambas as partes. Mesmo ela não sendo sempre dele, ela o queria sinceramente, de forma que jamais desejou alguém. Para ela bastavam aqueles momentos, aqueles beijos apaixonados, que somente os dois sabiam existir. Depois de fazerem amor, adormeceram. Já passavam das duas horas da manhã. Como de hábito, ela se levantou e sentou-se à cama para vestir-se e ir embora. Subitamente ele acordou, olhou para ela com um olhar que ela jamais havia visto antes naqueles olhos castanhos e ele pediu que ficasse. Ela sorriu, deu um beijo em sua face marcada pelo tempo e idade que carregava, o abraçou e voltou a deitar se sentido inteiramente abraçada. Pensou que era o que queria para todos os seus dias.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Momentos

Eu não vou dizer que não sei, porque sei bem sim, de eu não querer mais “carpe diem”... Eu quero ter certeza da espera na janela, da entrada no portão, todos os dias, sem hora, sem vontade de acabar... Momentos são bons, que multiplicados, são melhores... De alegria, de felicidade, de prazer... Quero sempre mais momentos, momentos juntos, felizes, alegres e até tristes, de quando eu precisar te pegar no colo ou te dar um abraço que signifique “tudo vai dar certo e eu estarei ao teu lado para te proteger”... Quero momentos de risadas, de choros, de brigas e lamentos, de olhar com brilho e permitir dizer “eu te amo”... Momentos de carinho, de cumplicidade, de trocas, de toques... calor... gozos e delírios... Momentos de intimidade que nos permitam ser mais do que somos, entre nós, entre lençóis... Quero mais perto, mais junto, sempre, sem ser apenas momento... quero eterno... pra sempre, mais e mais...

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Descobrir...


Hoje entendi a diferença entre descobrir e conhecer. Descobrir é muito melhor. Há razão para ser, há alguma motivação para querer. Com os dois foi assim, um descobriu o outro. Primeiro o olhar, depois o sorriso, veio o cheiro o copo e o corpo.

Continuaram querendo e querendo, sempre mais. Bom porque dessa vez foi recíproco, verdadeiro, leve. Almas flutuando, sempre que alguma outra peça-chave era descoberta. Descobriram também as diferenças e viram que elas são essenciais, pois se completam, para tornar ainda mais gostoso, mais fogoso.

Descobriram que estar junto, não é estar perto, é estar perto e estar longe, e mesmo longe sentido, tocando, falando, chorando, sorrindo, cantando. Porque, mais por ele do que por ela, foi conquistado, confiado.

Descobriram que um dia isso tudo vai acabar, mas antes que isso aconteça, ela quer aproveitar, tirar dele tudo que pode, tudo que quer, tudo que deseja e o que mais deseja é descobrir, a profundidade da história, do querer, de a cada dia, a cada palavra, a cada toque o que tem a sentir.

Descobrir se o encanto entre eles vai passar, amanhã ou depois. Assim como a vontade de comer um doce agora. Vai, passa, pode voltar. Mas a descoberta do sabor fica, permanece, assim como os dois. São os corpos, o cheiro, o olhar. Tudo se repete, e a cada repetição novas sensações, novas descobertas. “A gente não se olhou, a gente se encontrou.”

Conhecer é simples, é olhar e pensar: eu te conheço. Descobrir é profundo: eu sei o que você é, o que você quer e o que você deseja. Eu sei quem você é em essência. É como saber o máximo do clímax entre um homem e uma mulher. Saber qual o ponto dela que a faz sentir o seu corpo todo estremecer e no homem, saber o que cada toque, cada boca pode ser.

Tudo é uma questão de tempo, de conhecimento, de aprendizado e paciência. É a confiança distraída que sem querer chega aonde queria chegar e estar. Sem querer aprofunda, intensifica, faz querer mais e permanecer naquilo, não podendo mais fingir e nem fugir do que agora já é, e quer.

Seria mais fácil ficar no conhecimento, não no descobrimento. Descobrir faz o desejo aumentar a vontade ser voraz. Não tem como voltar atrás. Porém, o pensamento se vira em torno da emoção e da razão, que ambos têm em sobra. Se pudessem dosariam, pois onde em um há razão, noutro emoção. Mas aí é o que está o sentido de ser e de querer sempre mais descobrir, aprofundar...

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Um beijo no escuro...


Estávamos à mesa, uma boa musica, um ar frio pela janela deixou minhas mãos geladas, ou foi o nervosismo. Bem, agora não sei dizer ao certo. Fotos espalhadas pela geladeira mostravam que era ela uma pessoa afetuosa, que tem um coração gigante.
Sua mão ao contrario da minha, quente firme, pelo menos era o que os meus olhos viam.
Seus lábios, ao falar faziam um movimento que me hipnotizava, o piscar dos seus olhos, a voz rouca, me deixava em um estado alterado.
Beatriz roubou minha paz, me deixou inquieto, mudou meu dia ,minha noite, meu sono. Mudou tudo em mim apenas em alguns minutos.

Um primeiro olhar, um primeiro desejo… uma primeira conversa, um primeiro papo,
A idéia de que aquilo lhe era bom... Que serviria perfeitamente...
Um olhar de reciprocidade ao que ela estava sentindo, eu tremia, de frio, de medo, de vontade de possuir aquele corpo, de beijar aquela boca...
Aquele era o momento, a oportunidade. Não existia depois, não importava...
Ela ao meu lado, não queria demonstrar o que estava sentindo. Conversa jogada fora, assuntos aleatórios, tudo para tentar disfarçar, não demonstrar o que estava sentindo, querendo... Seu corpo, apesar de não parecer, estava trêmulo, frio, com medo, queria se entregar ali mesmo...
Um primeiro beijo, um segundo desejo, minha mão estava fria, a dela quente, a boca, a língua, o nariz, o cheiro, tudo como imaginava, tudo como sempre quisera. Sentia-se seguro ali dentro, mas e quando saísse? O que seria daquela porta pra fora? Depois do primeiro contato, depois de alguns meses. Não queria pensar, nem imaginar, queria parar naquele momento, voltar os minutos antes vividos, 10 vezes, mil vezes mais... Não queria sair, queria apenas sentir... Sentir os segundos de escuridão que aquele beijo, aquela boca, aquele cheiro trouxeram.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Saudade...


Ela me domina de uma maneira que é difícil de descrever.
Tenho vontade de chorar, de gritar, de sumir.
Numa noite fria, escura, ela chega de mansinho, toma conta do meu coração, me faz chorar, me faz rir, me faz sofrer.
Chorar porque faz falta, rir porque ela me faz lembrar coisas boas, sofrer porque queria voltar no tempo, tentar consertar, fazer tudo de novo.
Ah saudade que me invade!
Aquela música, aquele perfume, aquele toque, aquele som... Tudo faz ela surgir!
Num dia chuvoso, ela chega de novo, e com ela vem a vontade de sumir, correr, sem olhar pra trás. Impossível!
Não consigo. Ao mesmo tempo que me dá forças pra agir, ela tira de mim toda a coragem. Faz eu sentir medo. Medo! Ele que faz a gente deixar tantas coisas de lado: uma viagem, um amor, um algo novo.
Mas o momento agora é dela. Ah saudade!
Noite, dia, frio, calor... Tudo me traz você. Quero que vás embora, me deixe, faça eu viver o que tenho agora e não o que já passou!
Ah saudade!

segunda-feira, 15 de junho de 2009


"Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda..."
Mário Quintana