E o passado bateu em minha porta. Desta vez em forma de
sonho. Um sonho bom.
Trouxe em minha memória alguém que já foi embora, não dessa
vida, mas que está guardada no baú do meu coração, lugar onde ao vasculhar em
meio a tantas pessoas e emoções, machuca, dói, dá saudades. Mexer nessas
histórias traz muita coisa à tona, entre elas a vontade de voltar atrás, de
decisões, de momentos, de algo que nunca mais vai acontecer. Pelo menos, não
como antes.
Era bom e o sonho fez recordar de momentos tão felizes, que
poderiam se repetir por vezes e mais vezes. O som da voz era igual, a mesma que,
ao pé do ouvido, recitava sonhos, desejos e vontades, tudo que levasse à felicidade, mútua, compartilhada e vivenciada. Dia após dia.
Essa voz dizia: “quero isso tudo de volta também! Vamos em
frente, buscar nossos sonhos que lá atrás, ficaram perdidos”. Será? E o medo
voltou. Medo este que nos faz refém e deixam estáticas quaisquer ações que
possam nos levar a um caminho melhor, aquele dos nossos ideais para a vida,
aquele que está nas gavetas do nosso inconsciente, que assim, como no baú das
recordações do coração, mostram tanto de nós, que nem acreditamos existir.
Às vezes é necessário remexer, aprofundar, voltar e pensar,
sentir a dor que as lembranças nos trazem, seja para que façamos um caminho
consciente, novo, seja para que ao colocar emoções, pessoas e sentimentos, nas
recordações não vivas, saibamos das escolhas que fazemos.
Ao olhar para trás, através do sonho, me vejo errante, e ao
mesmo tempo certa e convicta de que aquela decisão era a melhor. Hoje, frágil,
porém, amanhã mais forte. Forte aprendiz dos meus próprios sonhos e com o
caminho que decidi seguir.






